Gestores do Transporte Coletivo da Grande Cuiabá participam de seminário da NTU

O presidente da MTU Ricardo Caixeta acompanhado do Secretário de Mobilidade Urbana de Cuiabá, Tiago França e representantes da Arsec – Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá, participaram do Seminário Nacional da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos.

O evento ocorreu por dois dias em Brasília e o assunto central foi a inclusão do transporte coletivo como um direito social, conforme artigo 6º da Constituição, que já prevê outros direitos sociais dos cidadãos, como por exemplo, a educação, a saúde, segurança, alimentação, moradia.

A comitiva formada por representantes da MTU, Semob e Arsec também participou de importantes discussões sobre questões para a operação dos sistemas de transportes. Executivos e gestores das empresas e entidades de transporte público se reuniram para promover a troca de experiências e debater soluções nas diversas áreas de atuação do setor. Temas como controle de fraudes, uso da biometria, tecnologia em prol do transporte público, gestão de frotas, e outros assuntos.

Aplicativo Meu Ônibus MTU já está Disponível

Os usuários do transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande ganharam mais uma inovação. Já está em funcionamento o aplicativo de celular “Meu Ônibus MTU”,disponível tanto na Play Store (para aparelhos Android) quanto na Apple Store (aparelhos iPhone). Basta buscar por Meu Ônibus MTU. O aplicativo usa o GPS do Smartphone e precisa de conexão com a internet. Assim que abre o aplicativo, é mostrado no mapa a localização do usuário e todos os pontos de ônibus próximos dele .O usuário clica no ponto desejado e o aplicativo mostra a previsão dos próximos ônibus.

Caso o usuário queira saber a localização exata do ônibus no momento ele clica no horário e é apresentado no mapa a localização do usuário (ponto de ônibus) e a localização do veículo. É possível marcar um ponto como “Favorito” (ícone mostrado na parte superior da tela de previsão do ponto) onde o aplicativo disponibiliza uma lista dos pontos para facilitar o acesso pelo usuário. Existe um link para postar noticias no aplicativo e um canal para reclamações/sugestões (referente ao aplicativo).

A tecnologia que permite o monitoramento das linhas de ônibus é possível porque cada ônibus possui um equipamento com uma antena GPS (Geolocalização) e outra antena GPRS (Transmissão de dados).
Todos os carros e linhas de Cuiabá e Várzea Grande são visualizados no sistema.

Transporte coletivo como direito social eleva expectativas por melhorias

Há quase um ano, o transporte coletivo se tornou constitucionalmente um direito social. Mas, poucos sabem que a Carta Magna assegura esse benefício ao cidadão, quando em setembro de 2015, foi aprovada, por unanimidade, a Emenda Constitucional 90/2015. Uma conquista para todos, pois eleva expectativas de melhorias no serviço. Por outro lado, tem acirrado debates quanto a origem de financiamentos que vão poder na prática proporcionar mudanças, principalmente, na vida de quem depende do coletivo para ir e vir. Essa discussão norteou por dois dias, o Seminário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), realizado em Brasília.

Para o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, sem recursos públicos não há transporte coletivo de qualidade. Na ocasião, ele apresentou uma pesquisa com representantes de vários segmentos que mapearam algumas expectativas: 86,1% dos parlamentares e 83% dos demais influenciadores ouvidos acreditam que o Poder Público deve participar do custeio do transporte público. A pesquisa foi realizada entre os dias 25 de maio a 19 de junho e foram ouvidos 224 deputados federais, 25 senadores, 100 influenciadores (economistas, universitários, gestores municipais, estaduais e federais, representantes da indústria, comércio e serviços).

Uma das soluções para viabilizar recursos necessários, e assim, fazer valer esse direito social é a criação da Cide Municipal, que atualmente vem sendo discutida no Congresso Nacional. Essa proposta é defendida pela Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) e chama a responsabilidade para os usuários de veículos particulares. “ O transporte público no país enfrenta um problema estrutural de financiamento. Temos, paradoxalmente, uma tendência de barateamento dos custos do transporte individual em relação ao coletivo. Isso vem provocando um aumento explosivo da frota de automóveis. Nossa proposta é a instituição de uma Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) Municipal. Seria um subsídio cruzado, com a liberação para que os municípios possam cobrar uma contribuição sobre a venda a varejo de combustíveis que seria revertida exclusivamente para custear parte da tarifa de ônibus”, justifica o presidente da FNP e prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda.

Enquanto a Cide Municipal não é aprovada, o presidente da MTU Ricardo Caixeta aponta uma redução de 8,6% na demanda de passageiros na Capital Matogrossense, entre os sete primeiros meses deste ano comparado a 2015, “ o que acaba infelizmente tendo uma implicação direta no preço da passagem”. Ele afirma que em Cuiabá e Várzea Grande, o Poder Público nunca subsidiou a tarifa do transporte coletivo.

Para o secretário de Mobilidade Urbana de Cuiabá, Tiago França, agora os gestores municipais terão que definir fontes de recursos para viabilizar melhorias no serviço e assim beneficiar quem precisa usar diariamente o transporte coletivo.

Representantes do Congresso Nacional, do Governo Federal e sociedade civil organizada estiveram presentes no Seminário da NTU. Para Otávio Cunha o setor do transporte coletivo não pode perder as desonerações conquistadas e que, se isso acontecer, esse custo terá que ser repassado às tarifas, sobrecarregando 37 milhões de brasileiros que utilizam o transporte público diariamente.

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, afirmou que os grandes investimentos em mobilidade urbana necessitam de aportes do Tesouro Nacional e reconhece que não há transporte público de qualidade sem a participação do Poder Público.

Enquanto não se implanta a Cide Municipal, os debates continuam em busca de pontuar soluções de financiamento para melhoria desse serviço, como medida de prioridade do coletivo em relação ao veículo individual.